"A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer."

(Graciliano Ramos)



segunda-feira, 25 de abril de 2011

Diabetes – causas e consequências

Cláudio Quintanilha Siqueira
Produzida pelo pâncreas, a insulina é o hormônio responsável pelo transporte da glicose até as células do corpo humano, suprindo-as com as moléculas responsáveis em lhes fornecer energia. A deficiência no transporte da glicose até as células pode acarretar uma série de problemas no organismo como lesão nos vasos sanguíneos, e nos nervos, problemas nos olhos e nos rins; podendo levar, em casos extremos, ao coma ou até mesmo à morte. O diabetes, caracterizado principalmente pelas altas taxas de glicose no sangue, é uma doença incurável, mas pode ser controlada com tratamento médico adequado, hábitos alimentares saudáveis e prática regular de atividades físicas mantendo, assim, a glicemia sanguínea em níveis aceitáveis.
Conforme já foi publicado aqui no blog, o diabetes foi descrito há quase 2000 anos pelo médico Areteu da Capadócia, na Grécia, mas somente em 1889 dois cientistas alemães - Von Mering e Minkowski - descobriram que era o pâncreas que produzia uma substância capaz de controlar o açúcar no sangue e evitar os sintomas da doença. No entanto, a causa do diabetes “continua sendo um mistério”, embora já saibamos que fatores como a obesidade e o sedentarismo sejam facilitadores para o aparecimento da enfermidade, aumentando o risco de desenvolvimento da doença entre homens e mulheres progressivamente com a quantidade de gordura em excesso, conforme atesta Varella (2005). Entretanto, Barra (2010) relata que recente pesquisa realizada pelo cientista Lício Velloso, do Departamento de Clínica Médica da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), revela que alterações no hipotálamo podem, entre outras coisas, levar a alterações da função do pâncreas, glândula responsável pela produção de insulina. Segundo o jornalista, o pesquisador, que estuda há 10 anos a ligação entre a ingestão de alimentos com o ganho de peso testou ratos em laboratório para observar qual o efeito da mudança no hipotálamo para a regulação do peso. Uma das descobertas é a ligação da inflamação no hipotálamo com a falência das células beta das ilhotas de Langerhans(1) no pâncreas em garantir ao corpo a insulina, acarretando no aparecimento da diabetes mellitus tipo 2. O pesquisador diz que é a união de dois problemas: o hipotálamo não controla mais a fome e a pessoa fica obesa e, por outro lado, ainda atrapalha a função do pâncreas para a secreção da insulina e, acrescenta que recomendar dietas a obesos, pura e simplesmente, não adianta e que é preciso mudar o padrão dos nossos alimentos. E conclui aconselhando que devemos trocar o que faz mal ao corpo por ômega 3 e 9, por exemplo.
Segundo Pinto et al (2007) a população obesa vem crescendo cada vez mais e isto é um fato preocupante porque, além de doenças cardíacas a pessoa está sujeita a adquirir outras doenças relacionadas à obesidade, como o diabetes tipo 2 que afeta, segundo o Ministério da Saúde brasileiro, cerca de 246 milhões de pessoas em todo o mundo e no Brasil, de acordo com dados de 2007 do VIGITEL (Sistema de Monitoramento de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas Não Transmissíveis), a ocorrência média de diabetes na população acima de 18 anos é de 5,2%, o que representa 6.399.187 pessoas, sendo que a incidência aumenta com a idade, atingindo 18,6% da população com idade superior a 65 anos, conforme mostram os gráficos abaixo.







Dados estatísticos de 2007 divulgados pela American Diabetes Association (ADA) apontam que 23,6 milhões de crianças e adultos jovens nos Estados Unidos são portadores de Diabetes Mellitus, o que representa 7,8% da população e que 1,6 milhão de novos casos são diagnosticados em pessoas com 20 anos ou mais a cada ano e, “só no Brasil, existem cerca de dez milhões de diabéticos, sendo que 90% são do tipo 2.” (PÓVOA, 2002, p.153).
O Diabetes Mellitus é definido pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como uma enfermidade crônica que aparece quando o pâncreas não produz insuli-na suficiente ou quando o corpo não pode usá-la de maneira efetiva. Inclusive Póvoa (2002) relata que algumas pessoas diabéticas produzem insulina suficiente, mas não contam com um bom número de receptores nas células para que o hormônio possa funcionar adequadamente, cumprindo o seu papel.
Conforme é descrito pela ADA, quando você ingere um alimento, o corpo “quebra” as moléculas de açúcar e amidos em glicose, que é o combustível básico para as células do corpo sendo, “na maioria das circunstâncias, a única molécula que os neurônios utilizam para obter energia” (SILVERTHORN, 2003, p. 225), porém, quando a glicose se acumula no sangue ao invés de ir para as células, apare-cem as complicações associadas ao diabetes que o Ministério da Saúde de Portugal cita, entre outros: retinopatia (lesão na retina), nefropatia (lesão nos rins), hipertensão arterial, AVCs (Acidentes Vasculares Cerebrais), disfunção e impotência sexual, obstrução arterial periférica e infecção urinária.
O Ministério da Saúde brasileiro reconhece como tipos mais frequentes de diabetes mellitus os do Tipo 1, 2, e o Gestacional que definiremos a seguir conforme a American Diabetes Association (ADA).

Diabetes Tipo 1: “Normalmente diagnosticada em crianças e adultos jovens[...]No diabetes tipo 1 o corpo não produz insulina – o hormônio necessário para converter açúcar, amido e outros alimentos em energia.”
De acordo com Silverthorn (2003) o Diabetes Mellitus Tipo 1 (ou insulino-dependente) é uma doença auto-imune causada pela destruição das células beta do pâncreas(2) quando o corpo falha no seu reconhecimento como próprias e as des-trói por meio de anticorpos e células brancas do sangue e afirma que “o único tratamento é por meio da injeção de insulina.” (p.658)
D’Elia (2009) inclui as pessoas portadoras de diabetes mellitus insulino-dependente com mais de 30 anos de idade ou que possuam a doença há mais de 15 anos nos fatores de risco de doenças artério-coronarianas.

Diabetes Gestacional: Segundo a ADA, durante a gravidez – normalmente por volta da 28ª semana em diante – muitas mulheres apresentam o diabetes, não significando que a mulher tinha a doença antes da concepção ou a terá após o nascimento do bebê. No entanto o Ministério da Saúde de Portugal alerta que a diabetes gestacional requer muita atenção, sendo fundamental que, depois de detectada a hiperglicemia, seja corrigida com a adoção de uma dieta apropriada. Quando esta não é suficiente, deve-se recorrer ao uso de insulina para que a gravidez decorra sem problemas para a mãe e para o bebê. E prevê, ainda, que uma em cada 20 grávidas pode sofrer desta forma de diabetes.
O metabolismo dos carboidratos e dos lipídios muda, segundo Silverthorn (2003), durante a gestação sob a influência dos hormônios maternos e da placenta. A autora ainda acrescenta que em aproximadamente 3% das gestações a mãe a-presenta elevadas concentrações de glicose em jejum, similares àquelas ob-servadas no Diabetes Mellitus, sendo a sua causa ainda desconhecida, mas, sabe-se que mães com diabetes gestacional e seus bebês têm grande probabilidade de desenvolverem o diabetes tipo 2 futuramente, no decorrer da vida.

Diabetes Tipo 2: É o mais comum dos diabetes e, segundo a ADA, alguns grupos tem maior risco de desenvolver a doença que outros, sendo mais comuns entre afri-canos, norte americanos, latinos, havaianos e outros povos das ilhas do pacífico.
No diabetes tipo 2, o corpo não produz insulina suficiente ou as células a ignora. É também conhecido como diabetes resistente à insulina e “compreendem 90% da população de diabéticos”, sendo que “cerca de 80% dos Tipo 2 são obesos.” (SILVERTHON, 2003, p.658).
O Manual Merk de Informação Médica (2002) descreve o diabetes mellitus tipo 2 como um distúrbio no qual a concentração de glicose sanguínea encontra-se anormalmente elevada, no entanto, o pâncreas continua a produzir insulina, algumas vezes em níveis mais elevados do que o normal, mas o organismo desenvolve uma resistência aos seus efeitos e o resultado é um déficit relativo de insulina.

O controle da glicemia não só é desejável como possível e o portador de diabetes tem condições de levar uma vida absolutamente normal, como afirma Bronstein (2002). Ainda segundo o endocrinologista a atividade física é de vital importância para os diabéticos, porque acelera o metabolismo, ajudando a queimar calorias e a controlar o peso; proporciona bem-estar e é benéfica para todo o organismo: ativa a função cardíaca, melhora a pressão arterial etc. Mas ressalta que o diabético só deve aplicar-se a um programa de exercícios se a doença estiver controlada. “Se estiver descompensada, a atividade física pode ter efeito contrário ao que se deseja, pois o fígado vai produzir mais açúcar”, adverte.
Voltaremos a falar mais sobre o assunto.

(1) Silverthorn (2003) descreve as ilhotas de Langerhans como um agrupamento de células dispersas por todo o pâncreas que contém quatro tipos distintos de células, cada qual associada à secreção de um hormônio diferente.


(2) As células beta do pâncreas correspondem a aproximadamente três quartos das ilhotas de Langerhans e são as responsáveis pela produção de insulina, de acordo com Silverthorn (2003).



REFERÊNCIAS

AMERICAN DIABETES ASSOCIATION. All about diabetes. Disponível em:
http://www.diabetes.org/about-diabetes.jsp. Acesso em 31ago 2010.

BARRA, Mário. Inflamação no cérebro pode acarretar obesidade e diabetes tipo 2. Disponível em http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/naticia/2010/08/inflamacao-no-cerebro-pode-acarretar-obesidade-e-diabetes-tipo-2.html. Acessso em 04 set. 2010.

BRASIL, Ministério da Saúde. Dia Mundial do Diabetes. Disponível em: http://portal.saude.gov.br/saude/area.cfm?id_area=1457. Acesso em: 6 set. 2010.

______, Ministério da Saúde. Vigitel Brasil 2007: Vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico. Brasília: Ministério da Saúde, 2007. Disponível em: http://portal.saude.gov.br/portal/saude/visualizar_texto.cfm?idtxt=23617&janela=1.
Acesso em 4 set 2010.

BRONSTEIN, Marcello. Diabetes. Disponível em: http://www.drauziovarella.com.br/ExibirConteudo/770/diabetes. Acesso em 6 set 2010. Entrevista concedida a Drauzio Varela.

D’ELIA, José Rubens. Ciclismo: treinamento, fisiologia e biomecânica. São Paulo: Phorte, 2009.

MANUAL MERCK DE INFORMAÇÃO MÉDICA: Saúde para a família. São Paulo: Manole, 2002.

PINTO, Marcus Vinícius de Mello et al. Análise dos riscos coronarianos através da relação cintura-quadril em taxistas residentes na cidade de Caratinga-MG. Revista Digital – Buenos Aires –Ano 12 – nº 114 – Novembro de 2007. Disponível em: http://www.efdeportes.com/efd114/riscos-coronarianos-em-taxistas.htm. Acesso em 22 jul. 2010.

PORTUGAL, Ministério da Saúde. Diabetes. Disponível em: http://www.min-saude.pt/portal/conteudos/enciclopedia+da+saude/doenças+cronicas/diabetes.htm.
Acesso em 04 set. 2010.

PÓVOA, Helion. O cérebro desconhecido. Rio de Janeiro: Objetiva, 2002.

SILVERTHORN, Dee Unglaub. Fisiologia humana: uma abordagem integrada. Barueri, SP: Manole, 2ª ed., 2003.

VARELLA, Dráuzio. A epidemia de diabetes. Disponível em:
http://www.drauziovarella.ig.com.br/artigos/diabetes.asp. Acesso em 5 set. 2010.

______. Diabetes. Disponível em: http://drauziovarella.ig.com.br/arquivo/arquivo.asp?doe_id=55. Acesso 2 set. 2010.

WORLD HEALTH ORGANIZATION. Diabetes. Disponível em:
http://www.who.int/topics/diabetes_mellitus/en/. Acesso em 6 set. 2010.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

10° Encontro Nacional de Cicloturismo e Aventura

Coincidindo com os 10 anos de fundação do Clube de Cicloturismo do Brasil, o 10° Encontro Nacional será realizado na cidade de Santa Maria Madalena/RJ entre os dias 12 e 15 de novembro de 2011.


Pela primeira vez o Encontro será realizado no estado do Rio de Janeiro, nesta simpática e aconchegante cidade localizada a 228 km do Rio de Janeiro - pela BR-116, passando por Friburgo ou 249 km, pela BR-101, passando por Conceição de Macabu; 79 km de Macaé e 134 km de Campos dos Goytacazes. Outras distâncias de referência podem se encontradas aqui.


Santa Maria Madalena abriga a sede do Parque Estadual do Desengano, criado em 13 de abril de 1970 pela Lei Estadual n° 250 e abrange os municípios de São Fidélis, Santa Maria Madalena e Campos dos Goytacazes com os seus 22.400 hectares (224 km²). O Parque apresenta uma exuberante natureza com várias cachoeiras e rios, onde se destacam as cachoeiras Bonita e Tombo d'Água e os rios Grande, do Colégio e Mocotó, entre outros. Sua fauna é abundante e oferece abrigo a vários animais como a preguiça-de-coleira, a onça-parda, quati, paca, macaco-prego, jacutinga, macuco etc.


Algumas elevações rochosas também se destacam em meio a vegetação: Pico do Desengano: 1761 m de altitude; Pico São Mateus: 1576 m de altitude; Pedra Agulha: 1080 m de altitude.


Segundo os organizadores, as inscrições para o Encontro estarão abertas no segundo semestre, portanto, fiquem ligados e não deixem de participar.




Veja abaixo algumas fotos (arquivo pessoal). Outras fotos podem ser vistas no Clube de Cicloturismo.




FONTES
www.clubedecicloturismo.com.br
www.pmsmm.rj.gov.br/desengano.php
www.inea.rj.gov.br/Unidades/pqdesengano.asp
http://pt.wikipedia.org/

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Atividade física como meio de sobrevivência

Cláudio Quintanilha Siqueira

O ser humano vem buscando, ao longo de milhares de anos, meios que visam facilitar o seu dia a dia, tornando as atividades necessárias a sua sobrevivência menos penosas. Criaram utensílios para prolongar seus membros, ampliar sua força, cortar e furar. Como Blainey (2007) escreveu, criaram utensílios com “lascas de pedra em forma de pontas de lança, lâminas e outros instrumentos de corte e de perfuração[...]” (p.15), se distinguindo dos outros animais por “transformar a natureza, criando para si uma cultura. Embora essa intervenção tenha trazido, ao longo do tempo, melhorias à vida humana, provocou também grandes problemas.” (COTRIN, 2006, p. 11), como veremos à frente.


Diante da necessidade de obter alimentos e fugir de predadores, o homem realizava atividades físicas de forma natural e utilitarista como nadar, correr, saltar, subir em árvores e atirar objetos. No entanto, ao descobrir o fogo – “resultado de muitas ideias e experiências durante milhares de anos” (BLAINEY, 2007, p.15) - e inventar a roda por volta de 3.000 a.C., segundo o professor, o homem não só facilitou o seu cotidiano como também se tornou sedentário à medida que novas facilidades foram criadas e a domesticação de animais estabelecida. De fato, como afirma Cotrin (2006), quando grupos humanos desenvolveram a criação de animais e a agricultura, no período neolítico, foi possível o desenvolvimento de comunidades sedentárias.


Antes nômades, coletores e caçadores que, “para viver do que a terra oferecia, precisavam fazer longas caminhadas a lugares onde sementes e frutas pudessem ser encontradas.” (BLAINEY, 2007, p.7); as habilidades físicas eram de vital importância para a sua sobrevivência; hoje, o ser humano dispõe de tecnologia suficiente para que tenha tudo o que precisa à mão, sem a necessidade de gastos energéticos extras devido à redução da intensidade e da frequência dos exercícios físicos. Como atesta Cotrin (2006), durante a Pré-história, nas comunidades onde a sobrevivência dependia da caça e da coleta, havia a necessidade de migração constante quando as reservas naturais se tornavam escassas e o grupo se deslocava para outras regiões. “Por isso essas comunidades eram nômades.” (p.26), afirma o autor.


Tais comodidades apresentam implicações para a nossa saúde devido ao sedentarismo e aos maus hábitos alimentares induzidos pelas facilidades oferecidas por produtos industrializados. Bacurau (2009) alerta, inclusive, que em indivíduos sedentários o excesso de gordura da dieta pode se depositar no corpo, acarretando em obesidade e nos fatores de risco relacionados, provocando o aparecimento de problemas de saúde como hipertensão arterial, riscos coronarianos e Diabetes Mellitus tipo 2, entre outros. Falaremos mais sobre isso na próxima semana.



REFERÊNCIAS


BACURAU, Reury Frank. Nutrição e suplementação esportiva. São Paulo: Phorte, 6ª ed., 2009.


BLAINEY, Geofrey. Uma breve história do mundo. São Paulo: Fundamento, 2007.


COTRIN, Gilberto. Fundamentos da filosofia: história e grandes temas. São Paulo: Saraiva, 16ª ed., 2006.

IMAGEM: http://www.pupulu.blogspot.com/

terça-feira, 15 de março de 2011

A aventura da mobilidade urbana

A revista Carta Capital trás como destaque uma interessante análise do jornalista Dal Marcondes sobre mobilidade urbana. Veja aqui.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Triglicerídeos. Você já ouviu falar.

Cláudio Quintanilha Siqueira
O que me chamou a atenção e me estimulou a pesquisar e escrever sobre o triglicerídeo foi o fato de saber que um amigo estava com a taxa desse lipídio em níveis altíssimos. Então, vamos lá.
Triacilglicerol, mais popularmente conhecido como triglicerídeo, é um tipo de gordura presente na nossa corrente sanguínea e no tecido adiposo e o seu excesso, segundo o National Institutes of Health, pode contribuir para o endurecimento e estreitamento das artérias, aumentando o risco de sofrermos um infarto ou um derrame cerebral.
Os triglicerídeos são naturalmente produzidos no nosso organismo "a partir do excesso de calorias, independente de sua origem, gordura, proteína ou açúcar" (ALMEIDA, 2006) e, em níveis elevados, estão associados a quatro condições patogênicas que aceleram a aterosclerose, conforme relatam Schiavo et al (2003): diminuição dos níveis de HDL; aumento das lipoproteínas remanescentes; pequena elevação na LDL e aumento das condições trombogênicas. Além disso, ainda segundo os autores, o aumento de triglicerídeos está relacionado também ao risco de doenças cardiovasculares, com um risco maior entre as mulheres.
Silverthorn (2003) descreve o triglicerídeos como a forma de gorduras mais importantes no nosso organismo, por constituirem as lipoproteínas e representam mais de 90% dos lipídios, sendo formados pela combinação do glicerol com os ácidos graxos[1] no retículo endoplasmático.
Quando ingerimos calorias em excesso, o nosso organismo sabiamente armazena uma parte na forma de glicose e "a maioria em gordura (triglicerídeos)" (ALMEIDA, 2006) para ser usada mais tarde. Por isso, alerta a autora, "alimentos ricos em açúcar podem elevar o nível de triglicerídeos." Até indivíduos com uma dieta pobre em gordura, açúcar e álcool podem apresentar altas taxas de triglicerídeos, por isso é aconselhável substituir essas calorias por gorduras monoinsaturadas como óleo de oliva, óleo de canola, óleo de amendoim e nozes.
Entretanto, Schiavo et al (2006) relatam que a hipertrigliceridemia é o distúrbio lipídico de mais fácil controle, pois seus níveis podem ser "satisfatoriamente controlados por mudanças nos hábitos de vida, dieta equilibrada, aumento da atividade física e restrição ao álcool" e, completam, raramente encontra-se hipertrigliceridemia isolada, sendo frequentemente acompanhada por aumento no colesterol total, no LDL e diminuição do HDL."
As taxas de triglicerídeos podem se obtidas através de exame de sangue, sendo os níveis normais, conforme a National Institutes of Health, abaixo de 150 mg/dl. Entre 150 e 199 mg/dl já existe um risco levemente aumentado. De 200 a 499 mg/dl é considerado alto e acima de 500 mg/dl, muito alto.
Então, podemos concluir que muito se deve ao nosso estilo de vida. Má alimentação aliada a falta de atividade física pode ocasionar desagradáveis manifestações no nosso corpo e, em casos extremos, levar à morte ou a invalidez.


REFERÊNCIAS

ALMEIDA, Elisabete Fernandes. Triglicerídeos - você já ouviu falar, mas sabe o que é? Jornal Carreira & Sucesso, 289ª ed. 29/jan/2006.

National Institutes of Health. Triglyceride level.

SCHIAVO, Marli; LUNARDELLI, Adroaldo; OLIVEIRA, Jarbas Rodrigues de. Influência da dieta na concentração sérica de triglicerídeos. Jornal Brasileiro de Patologia e Medicina Laboratorial, v. 39, nº 4, Rio de Janeiro: 2003.

SILVERTHORN, Dee Unglaub. Fisiologia humana: uma abordagem integrada. Barueri, SP: Manole, 2ª ed., 2003.


IMAGEM
http://www.adaraguatins.org.br/2009/10/saude-triglicerideos-alto-informacoes-e-dicas.php


[1] Ácidos graxos, segundo Silverthorn (2003), são longas cadeias de átomos de carbono ligados a hidrogênios.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Exercícios melhoram a memória

Pesquisa feita nos Estados Unidos e divulgada pela agência FAPESP comprovou que exercícios físicos aeróbicos moderados podem melhorar a memória em idosos e diminuir o declínio cognitivo proveniente do envelhecimento.
Foi constatado, durante a pesquisa, que os participantes - adultos saudáveis na faixa dos 55 a 80 anos de idade - que caminhavam 40 minutos três vezes por semana, tiveram um aumento médio de 2,12% no volume do hipocampo esquerdo e de 1,97% no hipocampo direito
Segundo o diretor do Instituto Beckman na Universidade de Illinois os estudos são interessantes porque indicam que mesmo exercícios feitos em pequenas quantidades podem levar a melhorias significativas na saúde cerebral em adultos mais velhos.


Veja toda a matéria aqui.


Mais informações sobre o tema "Memória":
IMAGEM

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Principal causa da confusão mental nos idosos

Por Arnaldo Lichtenstein, médico

Sempre que dou aula de clínica médica aos estudantes do 4º ano de medicina, lanço a pergunta:- Quais as causas que mais fazem o vovô ou a vovó terem confusão mental?
Alguns arriscam: "Tumor na cabeça"... Eu digo: "Não".
Outros apostam: "Mal de Alzheimer"... Respondo, novamente: "Não".
A cada negativa a turma se espanta! E fica ainda mais boquiaberta quando enumero os três motivos realmente responsáveis que são mais comuns:
- Diabetes descontrolado;
- Infecção urinária;
- A família passou um dia inteiro no shopping, enquanto os seus idosos ficaram sozinhos em casa!
Parece até brincadeira, mas não é. Não raro as avós sem sentirem sede, deixam de tomar líquidos!Quando falta gente em casa para lembrá-los, desidratam-se com rapidez. A desidratação tende a se agravar, e acaba afetando todo o organismo, causando confusão mental abrupta, baixa pressão arterial, aumento dos batimentos cardíacos (batedeira), angina (dor no peito), coma, e até morte.
Insisto: não é brincadeira!
Na melhor idade, que começa aos 60 anos, temos pouco mais de 50% de água no corpo! Isso faz parte do processo natural de envelhecimento. Portanto, nossos idosos têm menor reserva hídrica.
Mas há outro complicador: mesmo desidratados, eles não sentem vontade de tomar água!, Pois os seus mecanismos de equilíbrio interno não funcionam muito bem, por isso precisam ser lembrados!
Conclusão:Idosos se desidratam facilmente não apenas porque possuem reserva hídrica menor, mas também porque percebem menos a falta de água em seus corpos! E mesmo que o idoso seja saudável, fica prejudicado o desempenho normal das reações químicas, e as funções de todo o seu organismo.Por isso, aqui vão dois alertas:
1 - O primeiro é para vovós e vovôs: tornem voluntário o hábito de beber líquidos. Por líquido entenda-se água, sucos, chás, água-de-coco, leite, sopas, gelatinas, e frutas ricas em líquido, como: melão, melancia, abacaxi, laranja e tangerina, também funcionam. O mais importante é, a cada duas horas, botar uma boa quantidade de algum líquido para dentro. Lembrem-se disso!
2 - Meu segundo alerta é para os familiares: ofereçam constantemente líquidos aos idosos. Ao mesmo tempo fiquem atentos. Ao perceberem que estão rejeitando líquidos e, de um dia para o outro, se ficam confusos, irritadiços, e fora do ar, atenção! É quase certo que sejam sintomas decorrentes de desidratação. Então, líquido neles, e rápido levem eles para um serviço médico.

Arnaldo Lichtenstein, médico, clínico-geral do Hospital das Clínicas e professor colaborador do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo-USP
Publicação original:

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Ciclovias devem ser projetadas nas laterais das avenidas e não entre as pistas de rolamento

"Imagino que o exemplo da avenida 28 de março venha sendo replicada em outros projetos do município de forma equivocada. Em qualquer lugar do mundo as ciclovias são projetadas, preferencialmente, em uma das laterais das ruas ou avenidas."...

Acompanhe aqui todo o texto do professor Roberto Moraes sobre a criação de ciclovias na cidade.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

A melhor trava de bicicleta do mundo


Matéria publicada originalmente na superinteressante.

Uma equipe de gente meio maluca e meio gênia foi desafiada pela Conrad (rede de lojas alemã que vende de tudo) a criar algum produto inovador usando apenas os produtos vendidos por eles. Em14 dias, eles criaram a trava de bicicletas mais legal do mundo – e talvez a mais efetiva.
A criação dos caras (em alemão, “Fahrradschloss”), além de prender a bicicleta a postes de luz, também possui um motor que faz com que ela suba até o alto do poste – e fique longe do alcance dos ladrões.
Uma ótima ideia para quem gosta de pedalar por toda a cidade, mas tem medo de deixar a magrela sozinha, amarrada do lado de fora dos lugares pra onde vai. A bicicleta estará segura até que os ladrões comecem a usar escadas.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Uma situação inusitada

Não tem nada a ver com bikes, mas não poderia deixar de registrar.
Há aproximadamente duas semanas, durante a Bienal do Livro, deixei as minhas duas filhas no evento e fui realizar algumas tarefas pelo centro, pois a Bienal estava ocorrendo na praça central da cidade (Praça de São Salvador).
Uma das minhas metas era cortar o cabelo - ainda restam alguns - e aparar a barba.
Pois bem, após concluir as demais tarefas, fui a uma barbearia nas proximidades, sentei na cadeira e disse ao barbeiro que desejava cortar o cabelo e fazer a barba. Daí surgiu o seguinte diálogo:
Barbeiro: Fazer a barba como?
Eu, inocentemente: Aparar assim, fina como está e depois passar a máquina 1.
Barbeiro: Assim a gente não faz não.
Eu, com cara de pateta: Não? E faz como? É só seguir o que está marcado.
Barbeiro: É que assim dá muito trabalho.
Eu, com cara de idiota: Tá bom, muito obrigado.
Levantei-me da cadeira e fui a outra barbearia.