"A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer."

(Graciliano Ramos)



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terça-feira, 1 de maio de 2012

O PESO DA OBESIDADE

-->"Somos hoje mais altos, mais fortes e cada vez mais gordos."
http://www.corposaun.com/

Cláudio Quintanilha Siqueira
             A revista Veja de 25 de abril publicou uma extensa matéria abordando temas como obesidade, dieta, sedentarismo, longevidade e metabolismo da qual procurei extrair algumas informações.
            De acordo com a matéria produzida pelos jornalistas Adriana Lopes, Alexandre Salvador e Natália Cuminale, os especialistas consideram uma mudança na longevidade – para menos, claro - como consequência do excesso de gordura corporal na população, transformando as pessoas em obesas, muitas chegando à obesidade mórbida graças a um fenômeno que o diretor do Centro de Economia Populacional da Universidade de Chicago e prêmio Nobel de Economia em 1993 Robert Fogel batizou de “Evolução Tecnofísica”.
            A “Evolução Tecnofísica” é uma expressão criada para explicar um fenômeno atual onde, graças às facilidades oferecidas pela tecnologia, populações inteiras estão se transformando em obesas.
            Ao contrário da evolução natural proposta por Charles Darwin em 1859 – A Origem das Espécies - onde o cientista defende a idéia de que todos os seres vivos obedecem a um processo seletivo que tende a manter as mutações úteis e descartar as inúteis e se processa lentamente ao longo de milhares de anos até serem  “chanceladas pela natureza”, a Evolução Tecnofísica ocorre mais rapidamente e suas marcas são sentidas em uma  mesma geração em decorrência dos nossos atuais estilos de vida, conforme pode atestar o relatório VIGITEL/2011 (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico) do Ministério da Saúde que mostra que o percentual de obesos subiu de 11,4% em 2006 para 15,8% em 2011 e ainda ressalta que 49% dos brasileiros estão com excesso de peso (em 2006 eram 43%). 
          A Evolução Tecnifísica proposta por Fogel dribla a seleção natural uma vez que fomos capazes de criar mecanismos que facilitam os afazeres diários e nos tornam cada vez mais sedentários, além da grande oferta de alimentos  considerados "calorias vazias". Nos primórdios da humanidade um indivíduo obeso não sobreviveria, pois ele dependia do seu corpo e da agilidade para conseguir alimentos e fugir de inimigos, por exemplo. Aliás, ele nem chegaria a ficar obeso porque as suas atividades físicas utilitaristas eram intensas e o alimento escasso. Mas hoje, com as facilidades oferecidas pela tecnologia caimos numa armadilha e permanecemos mais tempo inativos e ingerindo alimentos inadequados.
            Conforme publicado na Veja, à parte cerca de 10%  associados a fatores genéticos, o sobrepeso é decorrência de fatores comportamentais como os maus hábitos alimentares. Ou seja, prevalece aqui o princípio 90x10 elaborado por Stephen Covey, segundo o qual apenas 10% do que nos acontece não está sob nosso controle. Mas é você quem determina os outros 90%. (Quer saber mais? Clique aqui)

Pense nisso e saia da frente desse computador. Vamos pedalar!

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Temas relacionados:
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http://portalsaude.saude.gov.br/portalsaude/noticia/4821/785/quase-metade-da-populacao-brasileira-esta-acima-do-peso.html
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segunda-feira, 25 de outubro de 2010

OBESIDADE INFANTIL



Cláudio Quintanilha Siqueira
Antigamente os mais velhos adoravam apertar as bochechas das crianças rechonchudas. Eram sinônimos de crianças bonitas e saudáveis, mas hoje é motivo de preocupação que leva alguns organismos nacionais e internacionais como a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS, 2003) a alertar que “A obesidade infantil já apresenta dimensões epidêmicas em algumas áreas [...] trata-se de um problema global que atinge os países em desenvolvimento de forma crescente.” (p.32), apresentando números que já sinalizam para que fiquemos alertas.
As crianças com menos de 5 anos obesas no mundo atinge o patamar de 17,6 milhões. Entre os 6 e 11 anos as crianças obesas mais do que dobraram desde a década de 1960.
A obesidade nos jovens de 12 a 17 anos aumentou de 5% para 13% entre os meninos e de 5% para 9% entre as meninas de 1966 a 1970.
Claro que queremos ver os nossos filhos bonitos e saudáveis, mas devemos ter em mente que o excesso de gordura é prejudicial na infância e na adolescência. O que antes eram problemas de adultos, hoje se manifesta também nos jovens, pois “O excesso de peso e a obesidade produzem efeitos metabólicos adversos sobre a pressão arterial, os níveis de colesterol e de triglicerídeos no sangue e a resistência a insulina.” (OPAS, 2003, p.32), aumentando a probabilidade de desenvolvimento do diabetes tipo 2 e hipertensão arterial mesmo antes da puberdade, conforme a Organização.
A modernidade nos induz a adquirir hábitos que podem ser prejudiciais à saúde. São infinitas as comodidades oferecidas pelos equipamentos cada vez mais sofisticados, além das ofertas de alimentos pouco saudáveis que invadem nossa casa, principalmente pela televisão que, de acordo com o Conselho Federal de Nutricionistas (CFN, 2003) é um dos principais veículos de comunicação a desempenhar papel na disseminação de informações nas sociedades modernas, observando que os comerciais de TV podem alterar estilos de vida e contribuir “decisivamente para a formação de uma cultura alimentar, ditando preferências e hábitos alimentares.”, levando as pessoas a consumirem mais alimentos com “grande densidade energética com altos teores de açúcar e gorduras saturadas(1), ou excessivamente salgados” (OPAS, 2003, p. 9) influenciando, principalmente, as crianças e os adolescentes que, segundo estudos citados pelo CFN (2003), ficam cerca de 3 a 4 horas na frente da TV, favorecendo a obesidade.
A OPAS (2003) recomenda, entre outras, as seguintes estratégias para gerenciamento do peso:
• atividade física moderada por pelo menos 30 minutos diários;
• ingerir mais frutas e verduras, nozes e cereais integrais;
• diminuir a ingestão de alimentos gordurosos e açucarados;
• substituir as gorduras saturadas de origem animal por gorduras insaturadas derivadas de óleos vegetais.

De acordo com Silverstorn (2003) a atividade física e a contração muscular aumentam a taxa metabólica acima da taxa basal(2) e os atos de sentar e deitar consomem relativamente pouca energia e recomenda: “Remar em uma competição e pedalar estão entre as atividades que mais gastam energia.” (p. 647).
Então, o que podemos fazer para mudar esse quadro?
A OPAS (2003) afirma que está “cientificamente comprovado” (p. 8) que uma mudança nos hábitos alimentares e na atividade física pode influenciar fortemente vários fatores de risco para a obesidade. Claro que não é fácil tirar as crianças e os adolescentes da frente da TV ou do computador, mas nós, adultos, precisamos fazer a nossa parte e tentar mostrar para os jovens o lado bom e o ruim das coisas.
Que tal começar pelo exemplo?



(1)Segundo o Ministério da Saúde brasileiro gordura saturada é um tipo de gordura que, quando ingerida, aumenta a quantidade de colesterol no organismo e está presente, principalmente, nos alimentos de origem animal. Ainda de acordo com o MS devemos sempre dar preferência às gorduras de origem vegetal e que são essenciais para o organismo.
(2)A taxa metabólica basal é o tanto de energia que o organismo necessita para manter-se quando estamos em repouso.



REFERÊNCIAS

BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Atividade física. Disponível em http://portal.saude.gov.br/saude/visualizar_texto.cfm?idtxt=23618. Acesso: 23out2010.

CONSELHO FEDEREAL DE NUTRICIONISTAS. Parecer do CNF sobre obesidade. Disponível em http://www.cnf.org.br. Acesso: 24out2010.

ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DE SAÚDE. Doenças crônico-degenerativas e obesidade: estratégia mundial sobre alimentação saudável, atividade física e saúde. Disponível em http://www.opas.org.br/sistema/arquivos/d_cronic.pdf. Acesso: 24out2010.

SILVERTHORN, Dee Unglaub. Fisiologia humana: uma abordagem integrada. Barueri, SP: Manole, 2ª ed., 2003.

IMAGEM:
http://murall.com.br/como-evitar-a-obesidade-infantil/

domingo, 25 de julho de 2010

RELAÇÃO CINTURA-QUADRIL

Cláudio Quintanilha Siqueira
Sabemos, hoje, que um dos fatores causadores de problemas coronarianos é a obesidade, porém “ela é tida como uma relação codependente com outros fatores” (PINTO et al, 2007) e, segundo Silverthorn (2003), os fatores de risco são geralmente divididos entre aqueles que a pessoa não tem controle (sexo, idade, histórico familiar de doenças etc) e aqueles que podem ser controlados como tabagismo, obesidade, sedentarismo, altas taxas de colesterol e triglicerídeos.
Segundo Pinto et al (2007) a população obesa vem crescendo cada vez mais e isto é um fato preocupante porque, além de doenças cardíacas a pessoa está sujeita a adquirir outras doenças relacionadas à obesidade, como o diabetes tipo II que afeta, segundo o Ministério da Saúde, cerca de 246 milhões de pessoas em todo o mundo e no Brasil a ocorrência média de diabetes na população acima de 18 anos é de 5,2%, o que representa 6.399.187 pessoas.
De acordo com Alves, Coutinho & Santos (2008) a avaliação antropométrica e a identificação do excesso de peso podem favorecer a identificação precoce do risco cardiovascular e, dizem ainda, “estudos destacam que a circunferência da cintura elevada, além da inadequação de outros índices como índice de massa corporal (IMC) e a razão da circunferência cintura/quadril (RCQ) podem contribuir para o aumento do risco coronariano.”
Machado & Sichieri (2002) obtiveram em estudo relacionando a circunferência cintura/quadril entre homens e mulheres adultos resultado que mostra que a RCQ inadequada esta associada diretamente à idade, tabagismo e IMC e inversamente a escolaridade, renda e atividade física e que “a distribuição da gordura corporal tem um forte determinação genética.”
A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda as medidas dos perímetros da cintura e do quadril como referência para a identificação do risco coronariano, pois o aumento da deposição de gordura abdominal na população pode fornecer um indicador sensível dos problemas de saúde relacionados ao sobrepeso. Além disso, “a utilização dessas medidas tem a vantagem da simplicidade e basear-se em medidas de fácil obtenção, sendo por isso um instrumento de grande valia.” (PEREIRA, SICHIERI & MARINS, 1995). Segundo as autoras, se comparada à razão cintura/altura (RCA) e ao perímetro da cintura (PC) a RCQ apresenta maior capacidade preditiva de hipertensão arterial e menor correlação com o IMC, permitindo maior discriminação de indivíduos em risco de doença crônica, “particularmente hipertensão arterial” e encontraram evidências de que indivíduos com IMC abaixo de 25 kg/m² apresentaram RCQ com melhor desempenho. Resultados que evidenciam que o efeito da gordura total pode ser menos importante do que o efeito da gordura depositada no abdômen, “em consonância com o que tem sido sugerido por outros autores.”
A obtenção da RCQ é fácil, porém, deve ser realizada por pessoas capacitadas para evitar avaliações enganosas e atitudes precipitadas. Utilizaremos no presente trabalho as técnicas apresentadas por Marins & Giannichi (2003) para a obtenção dos perímetros da cintura e do quadril:
Circunferência abdominal (cintura): o ponto anatômico de referência é a cicatriz umbilical, colocando-se a fita em plano horizontal.
Circunferência do quadril: a fita deverá ser colocada de forma horizontal, tomando como ponto de referência a região de maior volume dos glúteos.
Agora, para se determinar a RCQ basta dividir os resultados obtidos:
RCQ = Cintura (cm)/Quadril (cm).
Pereira, Sichieri & Marins (1995) indicam utilizar os valores de 0,95 como referência da RCQ para homens e 0,80 para mulheres, porém, Pinto et al (2007) utilizaram em seu estudo a tabela de classificação do programa Physical Test 5.0 para analisar a classificação da RCQ, o que nos fornece valores mais específicos para as diversas faixas etárias.

O presente trabalho não tem a intenção de ser referência absoluta no tema em questão. Pretendemos apenas fornecer conhecimentos básicos a respeito de um assunto que atinge a todos e que tem sido tratado como problema de saúde pública. Os profissionais de saúde devem sempre ser consultados antes de tomarmos decisões ou nos medicar. Procurem orientação junto aos profissionais capacitados para evitar erros de avaliação e atitudes que possam comprometer a sua saúde.


REFERÊNCIAS

ALVES, Lívia Ramos; COUTINHO, Vanessa; SANTOS, Luana Caroline dos. Indicadores antropométricos associados ao risco de doença cardiovascular. Arquivos Sanny de pesquisa em Saúde, Santos, v.1, n.1, set./out. 2008.

BRASIL, Ministério da Saúde. Dia Mundial do Diabetes. Disponível em http://portal.saude.gov.br/saude/area.cfm?id_area=1457

MACHADO, Paula Aballo Nunes; SICHIERI, Rosely. Relação cintura-quadril e fatores de dieta em adultos. Revista Saúde Pública. Vol 36, nº 2. São Paulo: abr-li/2002. Disponível em http://www.scielosp.org/pdf/rsp/v36n2/9212.pdf

MARINS, João C. Bouzas; GIANNICHI, Ronaldo S. Avaliação e Prescrição de Atividade Física: Guia prático. 3ª Ed. Rio de Janeiro: Shape, 2003.

PEREIRA, Rosângela Alves; Sichiery, Rosely; MARINS, Vânia M. R. Relação cintura-quadril como preditor de hipertensão arterial. Caderno Saúde Pública. Vol. 15. Nº 2. Rio de Janeiro: 1999.

PINTO, Marcus Vinícius de Mello et al. Análise dos riscos coronarianos através da relação cintura-quadril em taxistas residentes na cidade de Cara-tinga-MG. Revista Digital – Buenos Aires –Ano 12 – nº 114 – Novembro de 2007. Disponível em http://www.efdeportes.com/efd114/riscos-coronarianos-em-taxistas.htm

SILVERTHORN, Dee Unglaub. Fisiologia Humana: Uma abordagem integrada. 2ª Ed. São Paulo: Manole, 2003.


IMAGENS

http://solegelo.blogspot.com/2008/06/explorar-as-pase-de-matemtica-2008_29.html

http://andreiatorres.blogspot.com/2007/05/relao-cintura-quadril.html

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Dieta ou exercício?

Dieta ou exercício físico? Qual é a melhor opção para evitar problemas cardíacos?
Segundo um estudo divulgado pela FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), realizado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) com a colaboração da Escola de Educação Física e Esporte da mesma instituição, qualquer dos dois fatores evitou que ratos obesos desenvolvessem disfunção cardíaca.

Veja abaixo o texto completo.

Dieta ou exercício
29/1/2010

Por Alex Sander Alcântara

Agência FAPESP – Exercício físico ou restrição alimentar. Qualquer dos dois fatores evitou que ratos obesos desenvolvessem disfunção cardíaca, segundo um estudo feito na Faculdade de Medicina em colaboração com a Escola de Educação Física e Esporte, ambas da Universidade de São Paulo (USP).

O trabalho indicou também que a associação das duas condutas não medicamentosas não resulta em benefício adicional na função cardíaca. A explicação dos pesquisadores para isso é que cada uma das intervenções isoladamente já é suficiente para evitar que a obesidade crônica provoque a disfunção cardíaca.

De acordo com Carlos Eduardo Negrão, diretor da Unidade de Reabilitação Cardiovascular e Fisiologia do Exercício do Instituto do Coração (InCor) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e orientador do estudo, as alterações cardíacas decorrentes da obesidade podem ser evitadas “se a restrição alimentar ou o exercício físico for utilizado como conduta não medicamentosa para interromper o processo de obesidade crônico”, disse.

Além de avaliar os efeitos do treinamento físico e da restrição alimentar na função cardíaca, um dos objetivos do estudo foi tentar esclarecer o papel dessas intervenções nos mecanismos moleculares envolvidos nas alterações cardíacas causadas pela obesidade.

Os resultados fazem parte da tese de doutorado “Efeito do treinamento físico e da restrição alimentar na função cardíaca e resistência à insulina em ratos obesos”, de Ellena Paulino, feita com apoio de Bolsa da FAPESP e defendida em novembro de 2009, com orientação de Negrão.

O docente também coordena o Projeto Temático “Exercício físico e controle autonômico na fisiopatologia cardiovascular”, apoiado pela Fundação, e é professor titular da Escola de Educação Física e Esporte da USP.

“O estudo acrescenta conhecimentos importantes sobre o papel do exercício e da restrição calórica nos mecanismos moleculares associados à função cardíaca na obesidade”, disse Negrão.

Na pesquisa, ratos wistar machos foram alimentados com dieta normocalórica (quantidade normal de calorias) ou hipercalórica (rica em gordura e açúcar) durante 25 semanas. Após esse período, os animais alimentados com a dieta hipercalórica foram subdivididos em quatro grupos e acompanhados por mais dez semanas.

No primeiro grupo, os ratos continuaram recebendo a dieta hipercalórica e foram mantidos sem treinamento físico. No segundo, continuaram com dieta hipercalórica e foram treinados. No terceiro, deixaram de receber esse dieta para serem submetidos à restrição alimentar (menos 20% da ingestão diária). No quarto grupo, os ratos foram submetidos ao treinamento físico e à restrição alimentar.

“Após a vigésima quinta semana, os animais submetidos à dieta hipercalórica não apresentavam alterações na função cardíaca, embora já apresentassem substancial ganho de peso”, explicou Ellena.

“Após mais dez semanas de alimentação rica em gordura e mais ganho de peso corporal, eles apresentaram alteração na força de contração do coração e nas proteínas moleculares envolvidas nessa função. Isso foi evitado nos animais submetidos ao exercício físico ou à restrição alimentar”, contou.

Outros benefícios

Outro resultado importante sobre o papel do exercício e da restrição alimentar alcançado no trabalho está relacionado ao metabolismo de lípides. “A restrição alimentar em associação com o exercício físico diminuiu significativamente a esteatose e a hipertrigliciridemia em animais obesos”, disse Ellena.

Mas se por um lado a associação da restrição alimentar e do exercício físico não mostrou efeito cumulativo nos parâmetros cardíacos, por outro lado essas duas intervenções associadas diminuíram a quantidade de gordura estocada no fígado de animais obesos (esteatose hepática) e, também, os níveis de triglicérides plasmático.

“Embora a restrição alimentar isoladamente diminua a quantidade de gordura acumulada no fígado, ela aumentou a concentração de triglicérides plasmático, o que sugere um aumento na resistência hepática à insulina. Esses são achados importantes. Sabe-se que a esteatose, triglicérides aumentados e a resistência à insulina elevam o risco de doença cardiovascular”, destacou Ellena.

Segundo a pesquisadora, o trabalho permite concluir que a restrição calórica e a prática de exercício devem ser recomendadas para a prevenção de alterações cardíacas e metabólicas causadas pela obesidade.

domingo, 5 de julho de 2009

DIABETES E ATIVIDADE FÍSICA



Cláudio Quintanilha Siqueira

A Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) relata que o diabetes foi descrito há quase 2000 anos pelo médico Areteu da Capadócia, na Grécia, mas somente em 1889 dois cientistas alemães (Von Mering e Minkowski) descobriram que era o pâncreas que produzia uma substância capaz de controlar o açúcar no sangue e evitar os sintomas da doença. Contudo, ainda hoje, a causa do diabetes “continua sendo um mistério” (American Diabetes Association), embora já saibamos que fatores como a obesidade e o sedentarismo sejam facilitadores para o aparecimento da enfermidade, aumentando o risco de desenvolvimento da doença entre homens e mulheres progressivamente com a quantidade de gordura em excesso, conforme atesta Varella (2005).

Hoje o Diabetes Mellitus é definido pela Organização Panamericana de Saúde (OPS) como “uma enfermidade crônica caracterizada por hiperglicemia e desequilíbrio do metabolismo dos carboidratos e proteínas.” Ainda segundo a OPS o diabetes mellitus está associado a uma deficiência na secreção ou ação do hormônio insulina.

Existem vários tipos de diabetes, porém estes ocorrem com menor frequência em relação aos do Tipo 1 e 2 e ao Gestacional, entretanto iremos nos concentrar apenas nos diabetes Tipo 1 e 2 e suas definições conforme a American Diabetes Association (ADA).

Diabetes Tipo 1: Resulta de uma falha do corpo em produzir insulina, hormônio que “destrava” as células do corpo, permitindo a glicose entrar e abastecê-las.

De acordo com Silverthorn (2003) o diabetes mellitus Tipo 1 (ou insulino-dependente) é uma doença auto-imune causada pela destruição das células beta do pâncreas quando o corpo falha no seu reconhecimento como próprias e as destrói por meio de anticorpos e células brancas do sangue e afirma que “o único tratamento é por meio da injeção de insulina.”

Diabetes Tipo 2: Resulta de uma resistência à insulina (uma condição na qual o corpo não usa a insulina apropriadamente), combinada com uma relativa falta deste hormônio.

É também conhecido como diabetes resistente à insulina e “compreendem 90% da população de diabéticos”, sendo que “cerca de 80% dos Tipo 2 são obesos.” (SILVERTHORN, 2003).

Podemos concluir que o controle da glicemia não só é desejável como possível e que o portador de diabetes “tem condições de levar uma vida absolutamente normal”, afirma Bronstein (2002). Ainda segundo o endocrinologista a atividade física é de vital importância para os diabéticos, porque acelera o metabolismo, ajudando a queimar calorias e a controlar o peso; proporciona bem-estar e é benéfica para todo o organismo: ativa a função cardíaca, melhora a pressão arterial etc. Mas ressalta que o diabético só deve aplicar-se a um programa de exercícios se a doença estiver controlada. “Se estiver descompensada, a atividade física pode ter efeito contrário ao que se deseja, pois o fígado vai produzir mais açúcar”, adverte.

Mas, que tipo de atividade física deve fazer parte da rotina do diabético?

Segundo a American Diabetes Associoation (ADA) uma rotina de atividades físicas para diabéticos incluem três tipos de atividades: exercícios aeróbicos, treinamento de resistência e exercícios de flexibilidade.

Exercícios aeróbicos

Os exercícios aeróbicos elevam o batimento cardíaco, fortalecem os músculos e aumentam o condicionamento aeróbico. Para a maioria das pessoas é melhor optar por um total de 30 minutos de exercícios por dia, pelo menos 5 dias por semana. Se você não tem feito nenhuma atividade física ultimamente, você deve iniciar com 5 ou 10 minutos por dia e aumentar o tempo a cada semana. Ou dividir a sua atividade durante o dia – uma caminhada de 10 minutos antes de cada refeição, por exemplo. Se você está tentando perder peso, você deve se exercitar mais de 30 minutos por dia. Alguns exemplos de exercícios aeróbicos incluem: caminhadas, dança, natação, hidroginástica, tênis e ciclismo.

Varella (2005) observa que várias pesquisas demonstram que perdas de 5 a 10% do peso corpóreo podem prevenir ou pelo menos retardar o aparecimento de diabetes e acrescenta que andar 30 minutos por dia pode reduzir de 40 a 60% o risco de instalação da doença. E pergunta: “Andar apenas 30 minutos por dia para evitar uma doença que provoca perda de visão, ataques cardíacos, derrames cerebrais, amputações de membros e insuficiência renal capaz de exigir transplante de rim, é muito sacrifício?”

Treinamento de resistência

Feito várias vezes por semana ajuda a fortalecer os ossos e os músculos. Com mais músculos você queima mais calorias, mesmo durante o repouso.

“Os exercícios reduzem a hiperglicemia porque o músculo esquelético em exercício não exige insulina para a captação da glicose.” (SILVERTHORN, 2003).

Exercícios de flexibilidade

Os exercícios de flexibilidade, também chamados de alongamentos, ajudam a manter as articulações flexíveis e reduzem as chances de lesões durante as atividades. Alongar por 5 a 10 minutos ajuda o corpo a aquecer e se preparar para as atividades como caminhar, nadar ou pedalar.


Há muito o que falar sobre o diabetes mas acho que o nosso objetivo foi alcançado: oferecer uma pequena noção sobre a doença e conscientizar as pessoas sobre os riscos da obesidade e do sedentarismo, bem como estimular os portadores da enfermidade a aderirem a prática de atividades físicas regulares.


REFERÊNCIAS


AMERICAN DIABETES ASSOCIATION. All about diabetes. Disponível em: http://diabetes.org


_____ . Types of exercise. Disponível em http://diabetes.org


____ . What can exercise do for me? Disponível em http://diabetes.org


BRONSTEIN, Marcello. Entrevista. Disponível em: http://www.drauziovarella.com.br.


ORGANIZAÇÃO PANAMERICANA DE SAÚDE.


SILVERTHORN, Dee Unglaub. Fisiologia humana: uma abordagem integrada. Barueri, SP: Manole, 2ª ed., 2003.


SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES. História do diabetes. Disponívem em: http://www.diabetes.org.br


VARELLA, Dráuzio. A epidemia de diabetes. Disponível em: http://drauziovarella.ig.com.br

____ . Diabetes. Disponível em: http://drauziovarella.ig.com.b