"A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer."

(Graciliano Ramos)



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quarta-feira, 5 de setembro de 2012

A lista de benefícios dos exercícios físicos só cresce

A lista dos benefícios da atividade física está cada vez mais longa.

Por Dauzio Varella


Praticar exercícios confere força muscular, ativa a circulação do sangue, melhora a oxigenação do cérebro e dos demais tecidos, além de combater a obesidade, proteger contra complicações cardiovasculares, diabetes, Alzheimer, doença de Parkinson e diversos tipos de câncer, como demonstram os estudos populacionais.
Apesar dessas constatações, explicar os mecanismos através dos quais a atividade física é capaz de aprimorar tal variedade de funções orgânicas tem sido difícil.
Em dezembro de 2011, um grupo italiano deu a primeira contribuição para esclarecer esse mistério. Em publicação na revista Autophagy, eles demonstraram que o exercício induz autofagia.
Autofagia é um mecanismo fisiológico que acontece no interior das células, por meio do qual restos de membranas, organelas e demais estruturas celulares envelhecidas ou deterioradas, são englobadas e cortadas em pedaços para que seus componentes sejam reaproveitados, num processo silencioso de renovação contínua.
Essa reciclagem está presente em organismos que vão dos fungos aos mamíferos. Ela é fundamental para que as células possam obter a energia necessária para exercer suas funções. Quando algum estresse aumenta demanda de energia, a autofagia aumenta.
Os pesquisadores italianos mostraram que o estresse causado pelo exercício físico estimula e potencializa a autofagia, na musculatura de ratos atletas.
Em janeiro de 2012, Beth Levine, da Universidade do Texas, publicou na revista Nature uma pesquisa que confirma e aprofunda essa relação de causa e efeito: de fato, a autofagia está por trás dos efeitos benéficos da atividade física.
Numa primeira fase, Levine comprovou que camundongos mantidos naquelas rodas em que o animal anda sem sair do lugar, apresentavam níveis mais elevados de autofagia não apenas nos músculos, mas em diversos órgãos.
Na segunda fase, comparou um grupo de camundongos normais, com outro formado por camundongos mutantes que tinham como característica a total incapacidade de acelerar a autofagia em resposta ao estresse.
Nos camundongos normais, os músculos submetidos a exercícios extenuantes consumiram cerca de 85% da glicose obtida na alimentação. Como consequência, os níveis de glicose e de insulina na circulação diminuíram.
Nos mutantes, incapazes de responder com aumento da autofagia, o estresse causado pela mesma atividade física não modificou os níveis sanguíneos de glicose e insulina. Conclusão: a resposta da autofagia ao estresse é responsável pelos benefícios metabólicos imediatos da atividade física.
Para analisar os efeitos tardios, Levine engordou os dois grupos de camundongos até desenvolverem diabetes, para depois obrigá-los a fazer exercícios diários numa esteira rolante.
Passados dois meses, os ratos normais tinham ficado livres do diabetes e reduzido os níveis de colesterol e triglicérides, enquanto os mutantes continuavam diabéticos. Conclusão: o aumento da autofagia em resposta ao estresse também é fundamental para os efeitos a longo prazo da atividade física.
O exercício físico regular provoca adaptações duradouras na musculatura. A principal delas ocorre nas mitocôndrias, organelas celulares que funcionam como centrais de produção de energia, e que se desgastam com o passar dos anos. Para melhorar seu rendimento a fim de cobrir a demanda de energia solicitada pelo aumento da atividade física, as mitocôndrias entram num processo de renovação que retarda o envelhecimento.
Essas descobertas ainda não esclarecem os detalhes do papel da atividade física na redução dos casos de câncer e doenças neurodegenerativas.
Não explicam também por que aqueles que depois de receber o diagnóstico e o tratamento convencional de câncer de intestino ou de mama, resolvem andar míseros 40 minutos por dia, aumentam de 30% a 50% suas chances de cura definitiva.
São tantos os benefícios da atividade física, leitor, que só existe uma explicação para a vida sedentária que a maioria leva: praticar exercícios vai contra a natureza humana. Nenhum animal adulto desperdiça energia. Você já viu uma onça no zoológico dando um pique para perder a barriga?



domingo, 11 de setembro de 2011

Pedalar é excelente atividade para emagrecer

Andar de bicicleta é um exercício aeróbico potente, que leva à perda média de 700 calorias por hora, quantidade maior que a atingida com caminhada, natação e dança. Por isso, é uma boa opção de atividade física para quem quer emagrecer. Até porque, ao mesmo tempo em que elimina quilos, tonifica os músculos das pernas e do abdômen. Além disso, pode ser praticada na rua ou na academia. As diferenças entre as modalidades outdoor e indoor começam pelo gasto de energia, 50% maior ao ar livre, segundo uma pesquisa da Universidade do Estado de Santa Catarina.
Acompanhe o resto da matéria aqui.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Não é preciso dormir muito, mas bem.

Especialista em sono, o médico e autor de livro sobre o assunto Nerina Ramlakhan garante que é um erro achar que todos precisamos de pelo menos de oito horas de sono, comumente recomendado pelos médicos. Ele defende que a qualidade do sono tem mais influência do que a quantidade de horas dormidas. Tirar sonecas, relaxar e se exercitar são medidas que realmente funcionam e fazem a pessoa se renovar, garante ele.

Entre outras dicas ele recomenda os exercícios físicos que, entre outras coisas, produz também endorfina que nos ajuda a relaxar e dormir após um dia exaustivo.

Veja a matéria completa em O Globo.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Dieta ou exercício?

Dieta ou exercício físico? Qual é a melhor opção para evitar problemas cardíacos?
Segundo um estudo divulgado pela FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), realizado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) com a colaboração da Escola de Educação Física e Esporte da mesma instituição, qualquer dos dois fatores evitou que ratos obesos desenvolvessem disfunção cardíaca.

Veja abaixo o texto completo.

Dieta ou exercício
29/1/2010

Por Alex Sander Alcântara

Agência FAPESP – Exercício físico ou restrição alimentar. Qualquer dos dois fatores evitou que ratos obesos desenvolvessem disfunção cardíaca, segundo um estudo feito na Faculdade de Medicina em colaboração com a Escola de Educação Física e Esporte, ambas da Universidade de São Paulo (USP).

O trabalho indicou também que a associação das duas condutas não medicamentosas não resulta em benefício adicional na função cardíaca. A explicação dos pesquisadores para isso é que cada uma das intervenções isoladamente já é suficiente para evitar que a obesidade crônica provoque a disfunção cardíaca.

De acordo com Carlos Eduardo Negrão, diretor da Unidade de Reabilitação Cardiovascular e Fisiologia do Exercício do Instituto do Coração (InCor) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e orientador do estudo, as alterações cardíacas decorrentes da obesidade podem ser evitadas “se a restrição alimentar ou o exercício físico for utilizado como conduta não medicamentosa para interromper o processo de obesidade crônico”, disse.

Além de avaliar os efeitos do treinamento físico e da restrição alimentar na função cardíaca, um dos objetivos do estudo foi tentar esclarecer o papel dessas intervenções nos mecanismos moleculares envolvidos nas alterações cardíacas causadas pela obesidade.

Os resultados fazem parte da tese de doutorado “Efeito do treinamento físico e da restrição alimentar na função cardíaca e resistência à insulina em ratos obesos”, de Ellena Paulino, feita com apoio de Bolsa da FAPESP e defendida em novembro de 2009, com orientação de Negrão.

O docente também coordena o Projeto Temático “Exercício físico e controle autonômico na fisiopatologia cardiovascular”, apoiado pela Fundação, e é professor titular da Escola de Educação Física e Esporte da USP.

“O estudo acrescenta conhecimentos importantes sobre o papel do exercício e da restrição calórica nos mecanismos moleculares associados à função cardíaca na obesidade”, disse Negrão.

Na pesquisa, ratos wistar machos foram alimentados com dieta normocalórica (quantidade normal de calorias) ou hipercalórica (rica em gordura e açúcar) durante 25 semanas. Após esse período, os animais alimentados com a dieta hipercalórica foram subdivididos em quatro grupos e acompanhados por mais dez semanas.

No primeiro grupo, os ratos continuaram recebendo a dieta hipercalórica e foram mantidos sem treinamento físico. No segundo, continuaram com dieta hipercalórica e foram treinados. No terceiro, deixaram de receber esse dieta para serem submetidos à restrição alimentar (menos 20% da ingestão diária). No quarto grupo, os ratos foram submetidos ao treinamento físico e à restrição alimentar.

“Após a vigésima quinta semana, os animais submetidos à dieta hipercalórica não apresentavam alterações na função cardíaca, embora já apresentassem substancial ganho de peso”, explicou Ellena.

“Após mais dez semanas de alimentação rica em gordura e mais ganho de peso corporal, eles apresentaram alteração na força de contração do coração e nas proteínas moleculares envolvidas nessa função. Isso foi evitado nos animais submetidos ao exercício físico ou à restrição alimentar”, contou.

Outros benefícios

Outro resultado importante sobre o papel do exercício e da restrição alimentar alcançado no trabalho está relacionado ao metabolismo de lípides. “A restrição alimentar em associação com o exercício físico diminuiu significativamente a esteatose e a hipertrigliciridemia em animais obesos”, disse Ellena.

Mas se por um lado a associação da restrição alimentar e do exercício físico não mostrou efeito cumulativo nos parâmetros cardíacos, por outro lado essas duas intervenções associadas diminuíram a quantidade de gordura estocada no fígado de animais obesos (esteatose hepática) e, também, os níveis de triglicérides plasmático.

“Embora a restrição alimentar isoladamente diminua a quantidade de gordura acumulada no fígado, ela aumentou a concentração de triglicérides plasmático, o que sugere um aumento na resistência hepática à insulina. Esses são achados importantes. Sabe-se que a esteatose, triglicérides aumentados e a resistência à insulina elevam o risco de doença cardiovascular”, destacou Ellena.

Segundo a pesquisadora, o trabalho permite concluir que a restrição calórica e a prática de exercício devem ser recomendadas para a prevenção de alterações cardíacas e metabólicas causadas pela obesidade.