"A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer."

(Graciliano Ramos)



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quarta-feira, 13 de outubro de 2010

ENTREVISTA - Dra. Aline Vieira Barra, fisioterapeuta


Hoje é o dia do fisioterapeuta, portanto, nada mais oportuno do que ouvir a opinião de quem conhece do assunto para sanar algumas dúvidas que surgem de vez em quando.
A prática de atividades físicas oferece muitos benefícios para a saúde, no entanto, não estamos livres das lesões típicas de cada modalidade esportiva. Mesmo sendo considerado um dos esportes com menor índice de lesões, segundo o ciclista olímpico Daniel Rogelin, o ciclismo também oferece riscos. Por isso conversamos com a fisioterapeuta especializada em RPG, fisioterapia desportiva, ergonomia e dermatofuncional Dra. Aline Barra, que também é uma apaixonada por bikes e já participou do Iron Biker, Big Biker e outros eventos.

Bike Sem Limites: O que pode favorecer o aparecimento de lesões no ciclismo? O que podemos fazer para nos prevenir?
Dra. Aline: O aparecimento de lesões no ciclismo tem como causa vários fatores: falta de alongamento, falta de fortalecimento muscular, má postura na bicicleta e bicicleta sem bike fit.
A falta de alongamento faz com que o músculo não tenha sua capacidade total de contração devido ao mesmo estar encurtado e não no seu comprimento real para que haja uma contração eficiente e harmonia dos movimentos. A falta de fortalecimento muscular prévio pode causar um desequilíbrio muscular, principalmente nos joelhos, atingindo, então, a articulação e ocasionando a lesão. Também é muito importante manter o fortalecimento dos músculos do abdômen, pois ajuda a prevenir lesões na coluna lombar por causa da postura adotada para pedalar. Fazer um bike fit personalizado com um profissional capacitado é imprescindível para um bom rendimento e uma pedalada prazerosa e sem dores posteriores. O bike fit, para que não sabe, é a regulagem adequada da bicicleta de acordo com as medidas corporais de cada um, como altura do selim, tamanho do quadro, distância entre o selim e o guidão, entre outras.

BSL: Quais são as principais lesões?
Aline: As principais lesões são em coluna cervical, causadas, principalmente, pela distância e altura do guidão, o que também pode deixar sequelas nos cotovelos, punhos e ombros.
Outras lesões comuns, também, são as de joelho, que tem várias causas. Como falado antes, a falta de alongamento (condromalácia e meniscos), a falta de fortalecimento muscular (tendinites) e a altura inadequada do selim.
Lesões na coluna lombar (hérnia de disco e lesão muscular) são causadas pela altura errada do selim e tamanho inadequado do quadro.
Existém as lesões causadas pelo estresse, principalmente devido ao excesso de treino, que atingem comumente os joelhos. Podemos ter também lesões causadas por traumas (quedas), e as mais comuns são: fratura de punho, lesões ligamentares em ombro etc.

BSL: Quando devemos procurar os serviços fisioterápicos?
Aline: A fisioterapia é necessária quando existe dor persistente, que incomoda e/ou atrapalha a pedalada ou quando há alguma lesão. A fisioterapia preventiva funciona também na correção postural e tratamento de lesões pré-existentes à prática do ciclismo, para que não se agrave.

BSL: As cãimbras são muito comuns nas pedaladas. O que podemos fazer quando elas aparecerem?
Aline: Quando ocorrem as cãimbras, deve-se alongar o músculo envolvido, fazendo o movimento contrário ao da contração. Para que isso não ocorra é preciso ter uma boa alimentação e um bom condicionamento físico, tomando sempre o cuidado para não ultrapassar seus limites.
PS: A Dra. Aline oferece atendimento domiciliar e assessoria para empresas no telefone (22) 9836-2916.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

ATLETAS DE FINAIS DE SEMANA

Cláudio Quintanilha Siqueira
A prática de atividades físicas é sempre algo prazeroso e saudável, tanto sob o ponto de vista psicológico quanto do fisiológico e é muito comum vermos pessoas praticando os seus esportes favoritos nos finais de semana: futebol, vôlei, ciclismo etc. As praças, playgrounds e clubes ficam cheios desses “atletas” nos finais de semana. Com o tempo livre cada vez mais reduzido durante a semana em função das exigências da sociedade moderna, as pessoas dedicam menos tempo ao exercício físico e tentam compensar nos finais de semana.
No entanto, a prática de exercícios extenuantes pode trazer algumas conseqüências desagradáveis para as pessoas que não possuem uma vida fisicamente ativa. Segundo o professor Rodrigo Contó “o exagero mantém o coração em ritmo acelerado, aumentando o período no qual os problemas podem acontecer”.
O professor do Departamento de Biociências da Atividade Física da Escola de Educação Física da UFRJ, Renato Alvarenga afirma que a prática irregular de atividades físicas pode levar também a tendinites, fascites e rupturas de tendões, pois o organismo não está plenamente adaptado aos estímulos recebidos e quando existe a prática esporádica de atividade física intensa, o seu resultado pode ser mais prejudicial do que simplesmente ineficaz.
“Tem sido mostrado que atletas de final de semana com algum fator de risco cardiovascular associado, como hipertensão e níveis elevados de colesterol, ou se é fumante têm o risco cardiovascular ampliado em relação até a sedentários”, completa Alvarenga.
O ortopedista Victor Matsudo, do Centro de Estudos do Laboratório de Aptidão Física de São Caetano do Sul, em São Paulo afirma que é importante praticar esportes competitivos e prega alternativas simples para combater o sedentarismo, mal que, segundo ele, atinge 70% dos brasileiros. “Para escapar do sedentarismo não é preciso comprar o melhor tênis nem freqüentar a melhor academia, basta deixar o carro em casa e fazer a pé pequenas tarefas do cotidiano, por exemplo”, afirma o ortopedista.
Quem está em atividade reduz drasticamente as taxas de risco de ser atingido por doenças fatais: 54% dos infartos, 50% dos derrames cerebrais e 37% no caso de cânceres, sendo esses números o melhor argumento para comprovar a importância da prática correta de exercícios.
Segundo pesquisa coordenada pelo ortopedista Moisés Cohen, do Centro de Traumato-Ortopedia do Esporte da UFSP, os atletas de finais de semana, comparados aos profissionais que praticam os mesmos esportes, apresentam um índice de lesões 4% superior. “Os amadores se machucam com mais freqüência porque desconhecem seus limites físicos, não dominam a mecânica dos esportes e utilizam equipamentos inadequados durante as atividades” conclui Cohen.

CONCLUSÃO

1- Tentar compensar a inatividade do dia-a-dia nos finais de semana não só é ineficaz como pode ser desastroso sob o ponto de vista orgânico.

2- O nosso organismo é capaz de assimilar e se adaptar às sobrecargas que lhe são impostas no dia-a-dia, desde que seja de maneira progressiva e contínua ao longo do tempo.

3- Respeitar a individualidade biológica. Não existem pessoas iguais. Cada ser humano possui a sua própria estrutura física e psicológica, portanto o treinamento individual pode trazer melhores resultados do que tentar acompanhar o ritmo de quem está mais bem preparado fisicamente.

4- O maior risco para os atletas de fim de semana é ultrapassar o seu limite físico e provocar lesões articulares e até mesmo infarto.

5- “Praticar atividades aeróbicas pelo menos duas vezes por semana, mantendo uma regularidade.” (CONTÓ).

6- “Somente exercício físico regular e científico é benéfico sob todos os pontos de vista para a saúde.” (ALVARENGA).

FONTES E REFERÊNCIAS

CONTÓ, Rodrigo. Alerta aos atletas de final de semana e apressadinhos. Disponível em http://bemstar.globo.com/index.php?modulo=colunistas_mat&url_n_art=356&url_col=Prof.+Rodrigo+Cont%F3 . Data: 23/07/2008.

GAMBOA, Taísa. Só no final de semana. Disponível em http://www.olharvital.ufrj.br/ant/2006_05_04/materia_saudeeprevencao.htm . Data: 23/07/2008.

LUSSAC, Ricardo Martins Porto. Os benefícios do treinamento esportivo: conceitos, definições, possíveis aplicações e um possível novo olhar. Disponível em http://www.efdeportes.com/efd121/os-principios-do-treinamento-esportivo-conceitos-definicoes.htm . Data: 23/07/2008.

LUZ, Sérgio Ruiz. Suor e lágrimas. Disponível em http://veja.abril.com.br/111198/p_094.html . Data: 23/07/2008

IMAGEM: http://xiclista.blogspot.com/2007_11_01_archive.html