"A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer."

(Graciliano Ramos)



Mostrando postagens com marcador estresse. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador estresse. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Causas biológicas da depressão

Nos últimos anos foi possível entender as causas biológicas que levam o cérebro a desenvolver o quadro depressivo. Hoje sabemos que diversas áreas mudam seu funcionamento devido à exposição prolongada ou a um quadro intenso ao stress. As principais áreas que apresentam modificações em seu funcionamento e que levam ao quadro depressivo são: o córtex pré-frontal, o hipocampo, a amígdala e o córtex cingulado.
 No córtex pré-frontal, três subáreas estão envolvidas:
1) O Ventro-medial - responsável por mediar os aspectos conscientes relacionados com a dor, a ansiedade e as ruminações - apresenta uma redução da massa cinzenta e um aumento de ativação;
2) O Orbito lateral - normalmente envolvido na supressão ou modulação das respostas emocionais - tem sua ativação aumentada;
3) O Dorsolateral - envolvido, em conjunto com o córtex do cíngulo, nas ações cognitivas, na memória de trabalho, no gerenciamento da apatia e na alteração da atenção - apresenta uma massa cinzenta e uma ativação diminuída.
O Hipocampo - responsável pelo gerenciamento das memórias e na modulação do humor - sendo a área mais vulnerável aos mecanismos de neurotoxidade induzida pelo stress, tem sua massa cinzenta diminuída e uma ativação elevada nos primeiros ciclos da depressão e, com o passar do tempo, apresenta uma diminuição na sua ativação.
A Amígdala - responsável por mediar valores emocionais positivos ou negativos aos estímulos e gerenciar as memórias emocionais - apresenta tamanho e ativação aumentadas, porém, principalmente em mulheres, tende a apresentar uma ativação diminuída se o quadro se torna crônico.
O Córtex Cingulado - responsável pelo monitoramento dos comportamentos através de base emocional, regulação da motivação e da resposta simpática - apresenta uma ativação excessiva no início e com o tempo torna-se hipoativo.
Em nossos trabalhos com treinamento eletrofisiológico através da técnica de neurofeedback, buscamos reestabelecer a ativação ideal das áreas envolvidas na depressão e, durante as avaliações realizadas, sempre observarmos um elevado grau de sincronia entre as diversas áreas cerebrais, porém, a literatura não apresentava dados referentes a esse fenômeno em pessoas depressivas. Mas, para nossa surpresa, no início de 2012, nos deparamos com um artigo que falava exatamente sobre o alto nível de sincronia entre as áreas cerebrais em pessoas depressivas. Desta forma, começamos a trabalhar em conjunto: o restabelecimento da ativação e da sincronia nas áreas responsáveis pelo quadro depressivo. Os resultados foram excelentes. Abaixo se encontra um resumo geral do artigo.
Em seu estudo publicado na revista PLoS o psiquiatra e pesquisador Andrew Leuchter do Semel Institute for Neuroscience and Human Behavior (UCLA), realizado com 121 pacientes deprimidos e 121 pessoas sem nenhum tipo de problemas mentais, utilizando um método inovador na análise dos dados coletados por EEG, denominado de “análise ponderada do cérebro” observou que os 121 sujeitos depressivos apresentavam um alto nível de sincronia das faixas de frequências de ondas elétricas cerebrais, entre as diversas áreas do cérebro, demonstrando que depressivos apresentam cérebros hiperconectados. 
Já sabíamos que regiões do cérebro rigidamente sincronizadas obrigam o cérebro ser inflexível. Assim, um cérebro que não pode desempenhar suas funções de forma minuciosas e realizar seu processamento de forma independente e específica, fica preso em um processamento geral, semelhante a um computador travado, que mesmo processando não consegue realizar suas tarefas básicas. Desta forma, parece que o cérebro do depressivo entra em um processo disfuncional de ordem de ativação e de sincronia, fazendo que todo seu processamento busque o mesmo objetivo, ficando preso em um circulo vicioso, que geralmente tem como foco informações negativas. Este processo acaba provocando um desgaste geral no sistema nervoso, levando a pessoa não mais buscar a socialização e se engajar em atividades, se mantendo sempre em um estado de cansaço e desmotivação.



FONTE: abnaraneuro.blogspot.com.br/

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Importância da Recuperação após o treinamento

Cláudio Quintanilha Siqueira
Se você é desses que não admitem um período de descanso, precisa rever os seus conceitos sobre treinamento. Treinar e descansar devem fazer parte da rotina de qualquer desportista, seja amador ou profissional.
Muitas vezes a ânsia em melhorar a performance desportiva, emagrecer e adquirir condicionamento fisico impedem o praticante de se dar conta de que "o descanso, ou repouso, é tão importante quanto o treinamento" (LORETE, 2008). É necessário que haja um equilíbrio entre o desgaste físico e a recuperação para uma boa manutenção dos estados fisiológicos e mentais do indivíduo, pois as adaptações fisiológicas ocorrem no período de repouso, permitindo a recuperação dos tecido s muscular e ósseo.
Na verdade, segundo Lorete (2008), durante o treino não estamos ganhando nada, mas sim perdendo, estamos destruindo nossas fibras musculares, gastando nossas reservas energéticas e gerando estresse muscular para, durante o repouso, ocorrer a recuperação dos substratos energéticos e a reconstrução das fibras musculares.
A assimilação progressiva das cargas de treinamento é o que nos leva a melhorar a forma física. O estresse físico provoca no organismo um mecanismo de adaptação que produz uma série de processos fisiológicos de recuperação e regeneração que são explicados pela teoria da Síndrome de Adaptação Geral (SAG). Segundo Dantas (1998) a SAG apresenta três fases:

1- Excitação: provoca uma reação de alarme no organismo. É a resposta inicial a um estímulo o qual não está adaptado.


2- Resistência: provoca adaptações ao estímulo aplicado.


3- Exaustão: nesta fase o organismo não responde mais positivamente aos estímulos, havendo uma queda do rendimento e o risco de lesões.


Fica evidente que a falta de repouso adequado pode levar o indivíduo à terceira fase da SAG ou mesmo à Síndrome do Excesso de Treinamento, ou Overtraining, trazendo danos à saúde e riscos de lesões.

Segundo Augusti (2008) a questão do descanso muitas vezes é mal compreendida pelos atletas e até por treinadores. "Geralmente se dá muita importância aos exercícios físicos, técnicos e táticos, esquecendo-se de que o descanso é parte indissociável do processo de treinamento."

Diante de tudo o que foi exposto fica evidente que o repouso durante a semana de treinamento é fundamental para a performance, mas, quando falamos em descanso a primeira coisa que vem a mente é não fazer nada, nenhum tipo de esforço físico. Porém, de acordo com Fonseca (2009) os especialistas consideram o repouso ativo mais produtivo do que a pausa total.

O repouso ativo caracteriza-se pela diminuição da intensidade do treinamento, podendo ser realizado com trotes, massagens, alongamentos, natação, caminhadas etc. Sempre em intensidades leves e, preferencialmente, de forma recreativa. Mas dependendo do nível atlético do indivíduo, se ele for iniciante, um repouso total é também recomendado e, claro, tudo acompanhado de uma boa noite de sono para uma melhor reparação mental e física.

Ferrigno (2009) afirma que um sono profundo e de duração adequada possibilita melhor aproveitamento metabólico do que a atividade física proporcionou. Ainda segundo o médico, durante o sono a hipófise secreta o hormônio do crescimento (Growth Hormone, ou GH), oferecendo ao organismo os benefícios do trabalho físico desenvolvido durante o dia. "Dormir - diz ele - não é perda de tempo, é dádiva da vida e, sem adormecer, nada de bom acontece no nosso organismo."


Conclusões


1- "O negócio é treinar forte no momento certo." (ANDERSON, 2009)


2- "É fundamental que haja o momento de recuperação, principalmente quando há um desgaste muito grande." (FONSECA, 2009)


3- "O repouso ativo pode ser, em alguns casos, até mais produtivo do que a pausa total." (FONSECA, 2009)


4- "O repouso em demasia, assim como o treino em excesso, não permite a melhora do condicionamento físico." (AUGUSTI, 2008)


5- "Há corredores que treinam muito e competem mal." (AUGUSTI, 2008)


6- "O desequilíbrio entre treinamento e descanso pode levar ao overtraining." (AUGUSTI, 2008)


7- "Se o treino for volumoso e intenso, não permitindo recuperação adequada entre as sessões, as fibras serão excessivamente sobrecarregadas, podendo gerar lesões." (LOPES, 2009)


8- As adaptações fisiológicas ocorrem no período de repouso.


9- O sono é parte fundamental para a melhoria da forma física.



REFERÊNCIAS


ANDERSON, Cleber Ricci. Supertreinamento - excesso que leva à fadiga. Disponível em http://www. andersonbicicletas.com.br. Data:23/06/2009


AUGUSTI, Marcelo. Treinamento e descanso: qual a combinação ideal? Revista Contra-Relógio, edição 183, dezembro de 2008. Disponível em http://www.revistacontrarelogio.com.br. Data: 23/06/2009


CARVALHO, Marcelo Affonso. Dica de Treinamento: repouso para ir mais longe. Disponível em

http://www.fatdf.org.br.


DANTAS, Estélio M. A prática da preparação física. Rio de Janeiro: Shape, 5ª ed., 1998.


FERRIGNO, Robson. Descanso: a importância de um sono reparador. Disponível em

http://www.humanasaude.com.br Data: 23/06/2009.


FONSECA, Fausto Fagioli. A importância do descanso. Disponível em http://o2porminuto.uol.com.br. Data: 23/06/2009

LOPES, Trika. Nem sempre muito treino faz bem. Disponível em

http://www.treinototal.com.br Data: 23/06/2009


LORETE, Raphael. Você sabe a importância do repouso após a atividade física? Disponível em http://www.saudenarede.com.br. Data: 23/06/2009.